31 de julho
Sociedade
barra passeata nazista
Alertado por denúncia de leitor do
DIÁRIO, Ministério Público proíbe ato no vão livre do Masp em homenagem a
auxiliar de Hitler
Denúncia do grupo "Movimento Anarcopunk", que se designa
antifascista, levou o Ministério Público de São Paulo a proibir a
realização de marcha de uma gangue que faz apologia ao nazismo. A
passeata estava marcada para o dia 14 de agosto, às 16h, e partiria do
vão livre do Masp, na Avenida Paulista, seguindo até a Praça Oswaldo
Cruz, na Consolação.
O "Anarcopunk" registrou em dossiê como o grupo neonazista se
organizava para a realização da passeata. O DIÁRIO também recebeu a
denúncia e procurou o MP para conhecer suas providências. Alertado pelo
jornal, o MP decidiu pela proibição.
A manifestação seria para lembrar os 23 anos de morte de Rudolf
Hess, nazista que foi o principal auxiliar de Adolf Hitler durante toda
sua trajetória até o governo alemão.
A Promotoria de Justiça de Direitos Humanos de São Paulo interferu
na organização da caminhada, pois fere o artigo 20 da lei 7.719/1989,
que não permite propaganda com a suástica para divulgar o nazismo.
A caminhada estava sendo discutida em fóruns abertos em sites da
internet. O principal site a agregar as informações sobre a passeata,
era o da "Stormfront", uma comunidade que se diz nacionalista e
defensora da causa dos brancos.
Os integrantes não se identificam nas mensagens de apoio ao
movimento. Muitas delas sugerem como a marcha poderia ser feita sem que
a polícia interferisse. "Favor não levar nada que cause problemas com
as autoridades", dizia o panfleto exibido na internet.
Confrontos
O MP enviou ao prefeito Gilberto Kassab uma carta de recomendação para
não autorizar a realização do ato público pois temia-se ocorrência de
confrontação física. A Prefeitura informa não ter recebido soliticação
a respeito.
"O Ministério não quer violar os direitos e liberdades de outros,
mas é preciso ir contra aqueles que ferem as leis. Impedir uma reunião
pública dessas, é uma maneira de coibir um possível confronto
violento", analisou Adriana Galvão, membro da Comissão de Direitos
Humanos da OAB.
O Comando Geral da Polícia Militar, a Guarda Civil Metropolitana, o
Delegado Geral e os provedores de internet que mantêm no ar os sites
que fazem apologia ao crime, também receberam recomendação do
Ministério Público para não aceitar qualquer solicitação do movimento
neonazista.
A reportagem do DIÁRIO enviou uma mensagem por e-mail para os
organizadores da passeata para ouvi-los, mas não obteve resposta.
Essa é a segunda passeata proibida neste ano com concentração
prevista para o vão livre do Masp. O MP também impediu a "Marcha da
Maconha", que havia sido marcada para acontecer em fevereiro .
Grupos de skinheads atacam gays, negros e judeus
A Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi)
atua em São Paulo na identificação de grupos que se intitulam
neonazistas, e atuam com violência contra negros, homossexuais,
nordestinos e judeus. A pregação desses grupos é a da segregação, assim
como ditava o nazismo.
Um caso recente de violência de neonazistas foi na Parada Gay de
2009, quando o grupo "Impacto Hooligan" jogou uma bomba caseira na Rua
Vieira de Carvalho, tradicional reduto de bares gays. Mais de 40
pessoas ficaram feridas. A polícia prendeu sete pessoas envolvidas no
crime, que teriam planejado o atentado uma semana antes.
No mesmo ano, foi assassinado o cozinheiro Marcelo Campos Barros, de
35 anos, que passava pela Praça da República após a Parada Gay. Ele foi
agredido com pancadas na cabeça e morreu dias depois. Em 2007, no mesmo
evento, o francês Gregor Erwan Landouar, de 35 anos, foi morto com uma
facada no abdômen pelo punk Genésio Mariuzzi Filho, apelidado de
Antrax. Ele se disse integrante da gangue "Devastação Punk", e que
também tinha relações com o "Impacto Hooligan". A agressão ao francês
foi justificada como "pura revolta".
Em maio de 2009, uma quadrilha de neonazistas foi desarticulada no
Rio Grande do Sul. Pelo menos 50 pessoas planejavam atentados a
sinagogas no país, inclusive em São Paulo. Um dos grupos era o "Blood
& Honor".
de http://www.diariosp.com.br/_conteudo/2010/07/3109-sociedade+barra+passeata+nazista.html |